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Segredos de Família

February 12, 2020

 

 

 

 Você já entrou em um ambiente e teve a impressão de estar tão pesado ali que poderia cortá-lo com uma faca?

 

Já aconteceu de você, ir a uma festa de família  e sentir uma atmosfera diferente, uma tensão no ar, troca de olhares, frases cortadas?

 

O segredo é usado pela família como uma armadura para própria sobrevivência, e se rege por certos mecanismos que deixa alguns membros à parte dele.

 

É a expressão mais genuína e singular de cada núcleo familiar, é uma herança transmitida às próximas gerações, ainda que silenciosamente.

 

Eles podem ser inúmeros, “são como exceções à regra, cada família tem o seu”: gravidez indesejada, aborto, incesto, abuso, adoção desonesta, homossexualidade, casos extraconjugais, falência, pobreza, esquizofrenia, epilepsia, HIV, suicídio, adicções etc.

 

Na clínica, notamos que, na impossibilidade de um sujeito simbolizar o segredo, este continua ativo, sendo transmitido às próximas gerações, como bem aponta Belinda Mandelbaum, na esperança que estas tenham condições  psíquicas de elaborá-lo.

 

Dessa forma, o motor do segredo, é a vergonha traumática, aliada à crença da necessidade de sobrevivência da família.

 

Em muitos casos, receia-se que o membro fique marcado, estigmatizado e na ânsia por protegê-lo, firma-se tacitamente o pacto do que não pode ser dito no seio familiar.

 

Sua ocultação gera um paradoxo, pois, quem conhece o segredo, torna-se tenso e ansioso, toma cuidado com o rumo da conversa.

 

Ao passo que, quem não conhece o segredo, também fica identificado com a tensão presente e tem a sensação de culpa, peso ou inadequação.

 

Dessa forma, a psicanálise, desponta como uma ferramenta que possibilita a simbolização do segredo, pois, quando não articulado, tem-se um único destino possível: a identificação melancólica dos seus herdeiros.

 

 

Bibliografia

 

BLACK, Evan Imber. Os segredos na família e na Terapia Familiar. Porto Alegre. Artes Médicas, 1994.

DELTHLEFSEN, Thorwald; DAHLKE,Rüdiger. A doença como caminho. São Paulo. Cultrix, 2007.

DUVIDOVICH, Ernesto; GOLDENBERG, Ricardo. A Supervisão na Clínica Psicanalítica. São Paulo. Via Lettera, 2007.

FREUD, Sigmund. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas, vol. I, II e III Rio de Janeiro. Imago, 1996.

LAPLANCHE, Pontalis. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo. Martins Fontes, 2009.

MANDELBAUM, Belinda. Psicanálise da família. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2008.

RIVIÉRE, ENRIQUE PICHON. O processo grupal. São Paulo. Martins Fontes, 1983.

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michelel. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro. Zahar, 1997.

SAFRA, Gilberto. A Po-ética na clínica contemporânea. São Paulo. Idéias & Letras, 2004.

SOUSA, Mauro A.de. Nietzsche: Viver intensamente, tornar-se o que se é. São Paulo. Paulus, 2009.

 

 

 

 Fernanda do Valle,  Psicanalista do FV Instituto, formada pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de São Paulo, atua como Psicanalista desde 2009, seguindo uma orientação Freudiana e Lacaniana, atende jovens e adultos em sessões presenciais e online. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

 

Publicado em https://www.fasdapsicanalise.com.br/segredos-de-familia/

 

 

 

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