Corra o risco de mudar


Ver um psicanalista se tornou, se não trivial, pelo menos acessível. Nunca confortável, o confronto consigo mesmo é uma alavanca formidável para ganhar a liberdade interior. Aqui estão as etapas da jornada para um novo eu.


1. Reconheça o seu sofrimento


“Sempre encontro homens violentos”, “Só escolho amigos que me traem”, “Sempre me aborreço com a família” ... A repetição dos nossos padrões de vida é o ponto de partida de tudo ou quase tudo.

A psicanálise é um método terapêutico de abordagem e desenvolvimento pessoal. Tomar consciência desse fenômeno que nos impede de seguir em frente já é admitir a possibilidade de mudança. Mas não é fácil, porque se trata de aceitar que algo está trabalhando em nós, apesar de nós, e que precisamos de ajuda para superá-lo.


Você está pronto para reconhecer sua parcela de desamparo e fragilidade?


2. Admita sua parcela de responsabilidade.


É mais fácil culpar os outros e a sociedade por seu mal-estar do que aceitar sua parcela de responsabilidade. Porém, decidir mudar consiste em querer voltar a ser o piloto em sua vida e, portanto, sair da condição de vítima. E admitir que é impossível querer mudar os outros tanto quanto é vão esperar que eles nos mudem. Permitir-se ser mudado pelo exterior é, na melhor das hipóteses, adaptar-se e, na pior, submeter-se aos desejos dos outros. A única mudança possível e desejável está em você mesmo.

Você está pronto para sair da reclamação?


3.Enfrentando o desconhecido


Mesmo quando estamos insatisfeitos ou infelizes, muitas vezes parece mais fácil continuar sem mudar nada em nossa vida do que arriscar virar tudo de cabeça para baixo. Porque as estratégias de preservação que implementamos, por mais instáveis ​​que sejam, nos oferecem o conforto do hábito. Ousar se aventurar no caminho da mudança é ousar superar o medo do desconhecido: como vou viver sem essa dor que, de certa forma, se tornou uma identidade? E o que vou descobrir sobre mim, meu passado, minhas falhas? Tememos ver outra pessoa aparecer em nós, quando o que vamos encontrar seremos nós mesmo, mas sob aspectos, com forças, limites que até então não conhecíamos. Você está pronto para sair de sua rotina?


4. Deixe certas lealdades


Nesse processo de autodescoberta, tomamos consciência de padrões em que nos trancamos, de injunções a que nos submetemos, de sonhos ou ideais que nos impusemos, de lealdades parentais ou transgeracionais que mantivemos. Tornar-se você mesmo é aceitar abrir mão de suas lealdades, de não permanecer coerentes com o que pensamos que nossos pais esperam de nós, de perturbar a imagem que temos de nós mesmos e que os outros têm de nós para encontrar o nosso próprio caminho de. realização. Você está disposto a arriscar?


5. Ampliação de pontos de vista


Qualquer mudança individual induz uma mudança espiritual, pois qualquer questionamento sério de si mesmo traz uma nova leitura do mundo: nossos sentimentos, nossas emoções, nossos valores, nossas crenças, nossa forma de ver os relacionamentos são virados de cabeça para baixo. Porém, essa “revolução” não acontece em uma semana ou em paz! Requer empenho, energia, concessões, muitas dúvidas, resistências e, por vezes, mudanças no nosso modo de vida e nas nossas relações.


6. Pluralidade de caminhos


O trabalho terapêutico nos permite descobrir que somos mais ricos em recursos, mas, ao mesmo tempo, enxergar nossos limites. Estamos ficando maiores, mas não todo-poderosos. É como um pintor que, depois de usar apenas três cores durante anos, vai descobrindo aos poucos que tem cerca de vinte à sua disposição: sua paleta se ampliou, suas chances de fazer a pintura dos sonhos são maiores. Mas sempre vai encontrar os limites de seu know-how e sua inspiração. Você está pronto para atingir seus verdadeiros limites?


Anne Laure Gannac